Almeida não quer Dilma em seu palanque e votaria com povo pelo impeachment

564e6190-12f8-4b6f-bdcb-62cfcc98d08d
Cícero Almeida quando tietava Dilma, antes de comício em Maceió, em 2014

O ex-prefeito de Maceió e deputado federal Cícero Almeida (PSD) já confirma pré-candidatura à sucessão do prefeito Rui Palmeira (PSDB) e conta com o resgate dos pardais de trânsito para reconstruir o discurso eleitoral que o ajudou a se eleger em 2004, para administrar o município. Incentivado pelo ministro das Cidades Gilberto Kassab, que preside o PSD Nacional, Almeida dá como certo seu ingresso na disputa na capital alagoana, mas já avisa que “vota com o povo” pelo impeachment de Dilma Rousseff, caso o processo passe pela Câmara Federal.

Apesar de apoiar o impeachment, Almeida não acredita que o Congresso Nacional conclua pelo impeachment da presidente. Apesar do posicionamento em prol da derrocada da presidente, o parlamentar do partido aliado ao governo petista ainda confia que, governando até 2018, Dilma ainda deve lançar candidatura de Lula para sucessão presidencial. E torce por uma “reconciliação” da presidente com a nação.

“Eu faço minhas as minhas próprias palavras. Eu voto com o povo brasileiro, entendeu? O Brasil inteiro hoje – não na sua totalidade, mas uma boa parte – está acompanhando pari passu todos esses acontecimentos. Está tão insatisfeito quanto eu e quanto tantos outros parlamentares. Acreditamos que, se vier o processo de impeachment, o povo vai acolher, lamentavelmente para a tristeza dela e do próprio PT que tem grandes quadros e grandes nomes. Agora, confesso a você, com toda a sinceridade, que ela não vai ser retirada, nem pela Câmara, nem pelo Senado. Ela pode ser [derrubada] pela Câmara, mas não sai pelo Senado. Ela vai continuar governando até 2018. E, ousadamente, ainda vai lançar o Lula. Vamos torcer para que ela possa se reconciliar com o povo e com o país para que a gente venha a sair do caos que estamos vivendo”, disse Almeida.

Questionado se gostaria de ter em seu palanque a presença da presidente da República que ele apoiou nas eleições de 2014, o ex-prefeito Cícero Almeida afirmou que ninguém quer o apoio de Dilma, porque “não agrega a partido nenhum”. O deputado federal acredita que nem a própria chefe do Palácio do Planalto deverá subir nos palanques nordestinos neste ano eleitoral, devido à rejeição popular. E já descarta uma aliança com o PT em Alagoas, em sua eventual chapa na disputa pela Prefeitura de Maceió.

“Primeiro, ela não vem. Tá certo? E segundo, ela não vem nem para um palanque do PMDB, nem para um palanque do PSB. Isso aí eu posso garantir a você. O Governo Federal está altamente desgastado. E a preocupação do Governo Federal, pelo que a gente torce, é que ele recupere todo o estrago que foi feito neste país; todos os danos causados à população. Bem como também descarto a participação do PT na coligação, de forma respeitosa. Mas já descarto essa possibilidade, porque ela não vem. E, lamentavelmente, no momento político atual, ela não agrega politicamente, para partido nenhum. Mudar o quadro que o país está vivendo hoje, ela não vai conseguir mudar. Ela está passando pelo processo de impeachment. Isso é comprometedor. Existem inúmeras situações que, lamentavelmente, comprometem o governo dela. E até acredito que ela não iria se expor em um projeto político com o país passando pelo que está passando, sob o comando dela”, opinou o ex-prefeito da capital alagoana.

Apesar de estar se afastando de uma aliança com a base do governo de Renan Filho (PMDB), Cícero Almeida afirma que não apenas contava com uma aliança com PMDB do presidente do Senado, Renan Calheiros, como ainda acredita que a coligação possa se concretizar. E lembrou de uma reunião que teve com o senador e os hoje secretários de Estado do Transporte e Desenvolvimento Urbano, Mosart Amaral; e da Casa Civil, Fábio Farias.

“Continuo contando com o PMDB, porque há um compromisso pessoal, independente de política, de amizade. Espero que possa contar com o apoio do PMDB, porque acordamos isso na casa de doutor Mosart [Amaral] em duas reuniões, com doutor Fábio [Farias] e o senador Renan. [O acordo foi] de que no processo de 2016 estaríamos juntos. Se, por acaso, não acontecer, vou respeitar a posição do PMDB. Se o PMDB lançar candidato também vou respeitar. Mas, o PSD também tem liberdade, independência e autonomia – e eu sou presidente do partido – para oficializar também a candidatura. Então, vamos para um debate sadio, que é o que se presume, com candidatos qualificados, que conhecem a cidade. Se vier um candidato do PMDB, será um debate entre amigos”, previu Cícero Almeida.

O que se pode concluir das declarações de Almeida é que as perspectivas políticas do ex-prefeito continuam no padrão de sempre, com muita confiança em sua popularidade e pouca crença nos compromissos firmados com os caciques tradicionais da política alagoana. O resultado? Só as convenções e as urnas dirão.

Davi Soares/Cada Minuto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *