Empréstimo de US$ 70 milhões pode afundar Maceió e quem vai pagar a conta são seus filhos

Economista alerta que Executivo municipal não conseguirá arcar com a dívida

O prefeito Rui Palmeira e o executivo-sênior do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), José Rafael Neto assinaram, na tarde desta quinta-feira, 20, em Brasília, o contrato de empréstimo no valor de US$ 70 milhões entre o CAF e o Município. Os cerca de 270 milhões de reais serão utilizados no Programa Revitaliza Maceió, voltado, de acordo com a Prefeitura, para a melhoria da mobilidade, saneamento básico e requalificação urbana da capital.

A solenidade contou também com a presença da procuradora da Fazenda Nacional, Suely Dib, e do secretário municipal de Economia, Fellipe Mamede. Para o prefeito Rui Palmeira, a assinatura do contrato “é um investimento de grande relevância para a cidade, que vai possibilitar muitas melhorias na infraestrutura e na qualidade de vida das pessoas em diversos bairros de Maceió, principalmente nos mais carentes”.

O objetivo do Programa Revitaliza Maceió é impulsionar o desenvolvimento econômico, social e ambiental da cidade. A proposta é ampliar o serviço de esgotamento sanitário, minimizar os efeitos dos lançamentos de esgoto na orla marítima, levar esgotamento sanitário para bairros periféricos e viabilizar obras de pavimentação e mobilidade urbana. As obras irão beneficiar, diretamente, mais da metade da população da capital.

Como já publicado, o economista Diogo Vasconcelos analisou o financiamento conquistado pela Prefeitura de Maceió no valor de U$ 70 milhões.

Segundo o profissional, arcar com tamanha dívida pode ser um “tiro no pé”.  “O gestor da capital desde 2014 se organiza para contratar empréstimos de U$ 70 milhões com a Cooperação Andina de Fomento (CAF) e mais U$ 70 milhões com o Banco Interamericano de Fomento (BID). Maceió não conseguia contratar as operações. O motivo: ausência de capacidade de pagamento. Segundo avaliação do Tesouro nacional, que por dois anos consecutivos classificou Maceió com a pior avaliação de crédito (nota C), os técnicos entendem que Maceió não conseguirá honrar seus compromissos financeiros diante do fluxo de pagamento que essas operações de crédito representam no futuro”, explicou na ocasião.

A avaliação de crédito de Maceió até dezembro de 2015 era “Nota -B”, mas em 2016 e 2017, houve séria deterioração das contas públicas devido ao forte aumento de despesas correntes, levando a uma reavaliação negativa dos números desse biênio para uma  “nota C”. “Diante desse cenário, se entende que o gestor deva enxugar a máquina pública reduzindo despesas para evoluir a contratação de empréstimos”, considerou.

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