Mergulhador continua ‘inflado’ após cinco anos

No fim de 2013, Alejandro Ramos Martínez, apelidado de Willy, mergulhava a mais de 35 metros de profundidade em busca de mexilhões presos a penhascos e barrancos submarinos no litoral de Pisco (Peru).

Ao fim da jornada de trabalho, ele notou que a mangueira em sua boca havia começado a roubar seu ar em que vez de fornecê-lo. Naquela tarde, uma lancha se aproximou demais da embarcação de Willy, em que seu filho e um colega esperavam por ele. A hélice deste barco rompeu a mangueira e obrigou o mergulhador a subir 36 metros de uma só vez. Um trajeto de poucos minutos que podia ter lhe custado a vida.

Quando Willy por fim chegou à superfície, teve de recorrer a uma manobra de emergência: voltar a submergir à mesma profundidade e subir respeitando as paradas de segurança. Porém, os pescadores que o ajudavam decidiram ir embora, deixando Willy sem um compressor. O peruano só completou 30 minutos das 2 horas necessárias de descompressão.

O mergulhador chegou a hospital da região “inflado”, como se tivesse aplicado esteroides anabolizantes. De acordo com uma teoria que explica o caso, a pressão do fundo do mar fez com que o nitrogênio se dissolvesse e se alojasse no tecido adiposo do mergulhador.

“Fiquei deformado, mas estou vivo, mesmo que às vezes eu fique triste pela situação”, disse ele à época.

Cinco anos se passaram e Willy continua “inflado” da mesma forma. O peruano de 1,60 metro de altura continua morando em Pisco e ujsa camisas GGG, como se fosse um jogador de futebol americano, informa o Extra.

“As pessoas me olham como se eu fosse um animal raro”, afirmou ele à BBC.

O diagnóstico não foi totalmente fechado. Alguns chegam a acreditar que uma doença congênita de Willy tenha se manifestado no episódio cinco anos atrás. Ele teria desenvolvido tumores de gordura.

Recentemente, Willy esteve no Hospital Naval de Lima (Peru) para uma consulta com Raúl Aguado, especializado em medicina subaquática. Nos exames, o peruano apresentou braços de 74 centímetros e peito de 1,35 metro.

“Nunca tinha visto um caso assim”, disse o médico. Segundo ele, o nitrogênio não teve tempo suficiente para deixar o corpo de Willy. O gás se transformou em bolhas, que acabaram bloqueando os vasos sanguíneos e acabaram presas nas juntas.

Agora, médicos estão estudando possibilidades para operar o peruano, a fim de diminuir o inchaço e melhorar a sua mobilidade. O mergulhador ganhou 30 quilos e sofre com fortes dores no peito e nos quadris, mas ainda sonha voltar a mergulhar.

13/12/2018

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