Na contramão da crise, setor de fibra ótica impulsiona provedores regionais de internet

Independente do modelo de negócio, hoje é praticamente impossível manter uma empresa sem internet de qualidade. Redes sociais, troca de informação e vendas virtuais exigem de qualquer empreendedor uma boa conexão. Nesse contexto, andam em paralelo a substituição da internet via satélite por fibra ótica e o crescimento dos provedores regionais, que atendem a grandes bairros ou pequenas cidades por todo o Brasil.

O fenômeno é resultado do misto entre crise e oportunidade. Ignoradas pelas grandes companhias de telecomunicações, estes pequenos municípios viram os antigos provedores locais da internet a rádio investir em redes de fibra óptica, com conexões de alta velocidade. No Brasil, o número de lares atendidos por essas empresas já chega a 3,2 milhões, um alcance três vezes maior do que em 2011.

Só no primeiro trimestre deste ano, estes provedores foram responsáveis por 77% dos novos acessos à banda larga no Brasil. Hoje, existem 3.200 empresas que operam regularmente e prestam informações à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em 1.200 municípios, esses pequenos provedores são líderes de mercado, respondendo por 12% do total de conexões no país.

Segundo dados da Anatel, o acesso à internet ainda é desigual no Brasil. De acordo com um estudo encomendado à consultoria Teleco, um grupo de 250 cidades que concentram 51% da população brasileira tem uma infraestrutura considerada de alta qualidade, sendo responsáveis por 77% dos acessos à banda larga no país, quase metade deles oferecendo conexões com velocidade superior a 12 megabits por segundo. Já os 49% restantes dos brasileiros vivem em lugares que respondem por apenas 23% do acesso à banda larga, dos quais metade é feita abaixo de 2 megabits por segundo, uma velocidade com a qual é difícil carregar um vídeo de alta resolução em plataformas como o Youtube ou Netflix.

E o crescimento dos provedores locais ocorre, justamente, em função desses hábitos. Cada vez mais pessoas precisam de internet para assistir vídeos e realizar uploads e downloads, o que com o uso de fibra ótica se torna mais rápido e com seguridade de qualidade. Alagoas segue a tendência e empresas como a Veloo Telecom são a confirmação de que a internet tem chegado aos rincões do país.

No estado, a rede de fibra ótica da empresa, que é alagoana, já alcança quase que a totalidade dos municípios, expandindo-se por seus povoados e atingindo uma população antes carente de acesso ao mundo virtual. A expansão segue para outros estados como Bahia, Sergipe e Pernambuco e tem planejamento já traçado para chegar aos demais estados do Nordeste.

A Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações estima que provedores que se beneficiam de redes de fibra ótica, como a da Veloo Telecom, irão investir pelo menos 500 milhões de reais neste ano para ofertar internet via fibra pelo país. O aumento da presença da internet em lares e negócios é essencial para a economia do país. Hoje, 58% da população brasileira está conectada à rede, índice superior à média mundial, mas abaixo dos 82% alcançados pelos países mais ricos. Estudos do Banco Mundial mostram que o acesso à internet rápida é estimulante para o crescimento das atividades. Redes de telecomunicações bem distribuídas e eficientes melhoram a produtividade, indicador em que o Brasil insiste em ir mal e, consequentemente, sua economia.

O prognóstico pode ser medido com a alta do interesse pelo assunto. Tanto que não faltam cursos e feiras voltado a esses empreendedores. Encontros como a Future ISP, evento que reuniu centenas de empresas do ramo de tecnologia voltada a internet, no último mês de maio, Centro de Convenções de Pernambuco. Além de negócios, a feira demonstrou o quanto as pessoas estão engajadas em fornecer o melhor serviço, com novas tecnologias e, principalmente, com custo-benefício rentável para empresa e cliente.

Apenas para ter uma noção do quanto uma melhor infraestrutura de internet implicaria positivamente no país, segundo a consultoria americana BCG, a massificação da banda larga no Brasil traria ganhos de 1,4 trilhão de reais até 2025. Para isso, porém, seria necessário investir 200 bilhões de reais nos próximos dez anos em infraestrutura de rede. Se o Brasil quiser estar totalmente conectado no futuro, vai precisar do engajamento de todos na empreitada: governo, pequenas e grandes empresas.

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