Policial que espancou comerciante é investigado por agressão em posto

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O policial civil José Camilo Leonel, que espancou o comerciante iraniano Navid Saysan, dono de uma loja de tapetes nos Jardins, área nobre da cidade de São Paulo, também é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil por uma agressão em um posto de combustíveis, em 2015, na capital paulista. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) disse que a apuração está em andamento, mas não deu detalhes sobre o caso.

No dia 14 de fevereiro, o programa Fantástico, da TV Globo, mostrou imagens de câmeras de segurança da loja do comerciante sendo agredido pelo policial (veja abaixo). O investigador também ameaçou Navid Saysan e um funcionário com uma arma. Leonel trabalhava na Corregedoria da Polícia Civil e pode responder por abuso de autoridade. Após a divulgação das imagens, o policial foi afastado e precisou entregar a arma e o distintivo.

O motivo da briga seria a devolução de um dos tapetes da loja. José Camilo Leonel foi chamado até o local pela estudante universitária Iolanda Delce dos Santos, de 29 anos, que pretendia devolver um tapete comprado em dezembro. Ela pagou R$ 5 mil pelo produto e queria o dinheiro de volta.

O comerciante, no entanto, sugeriu um crédito no mesmo valor, para a compra de outros produtos. Segundo ele, a estudante recusou a proposta e disse que chamaria a polícia. Ela foi até o lado de fora da loja, faz uma ligação pelo celular e, instantes depois, um carro da polícia, dirigido por Leonel, chegou ao local, que agride a aponta a arma para Navid Saysan.

O investigador disse que não conhecia Iolanda. Em entrevista ao Fantástico, ela também negou conhecer o policial civil. A estudante, no entanto, foi vista descendo de um carro da polícia antes de ir até a loja de tapetes. “Os empregados souberam por funcionários de outras lojas que viram ela chegando na viatura, e ela desceu na esquina, mas essa pessoa se recusa a contar o fato ou testemunhar, de medo”, explicou a advogada Maria José Costa Ferreira, que defende o comerciante agredido pelo investigador.

Já a advogada de defesa do policial civil, Eliana Rasia, disse ao G1 que não vai comentar a investigação ou outros casos que envolvem o investigador.

VEJA A CRONOLOGIA DO CASO:
21 de janeiro: A universitária Iolanda Delce dos Santos foi à loja do iraniano Navid Saysan tentar recuperar o dinheiro da compra de um tapete. Ela pagou R$ 5 mil pelo produto e queria o dinheiro de volta. Ela saiu da loja dizendo que iria chamar a polícia. O policial civil José Camilo Leonel chegou em seguida e agrediu o comerciante. Ele chamou o reforço do GOE. O iraniano deixou o local algemado.

14 de fevereiro: Reportagem do Fantástico mostra imagens das câmeras de segurança da loja de tapetes que mostram a agressão do policial civil ao comerciante. Após a confusão, os envolvidos foram pra delegacia do consumidor e para a corregedoria, onde foi feito um boletim de ocorrência.

15 de fevereiro: A Secretaria de Segurança Pública diz que o policial civil será afastado até o final da apuração dos fatos e que iria abrir inquérito contra a mulher.

16 de fevereiro: O policial civil é afastado por 180 dias.

18 de fevereiro: O iraniano Navid Saysan presta depoimento na Corregedoria da Polícia Civil e sai sem falar com a imprensa.

19 de fevereiro: Em entrevista ao G1, a advogada do comerciante diz que Iolanda foi vista em viatura da Polícia Civil antes de o policial agredir o iraniano.

22 de fevereiro: Reportagem do G1 revela que o policial civil José Camilo Leonel é sócio de uma empresa de segurança. Ele é um dos donos da Pentalpha Consultoria Técnica de Segurança e Investigação em Fraudes Contra Seguros Ltda., que tem como sócia administradora uma parente do policial, Zenaide Leonel dos Santos. Segundo a SSP, os policiais civis podem ser cotistas ou acionistas de empresas, de acordo com a Lei Orgânica da Polícia do Estado de São Paulo, mas não podem ser sócios administrativos ou gerentes. No mesmo dia, a secretaria recolhe o distintivo e a arma do policial.

https://youtu.be/o-IrDy6PZmE

Agressão em loja
No começo de janeiro, o iraniano Navid Saysan, dono do comércio, levou socos e foi ameaçado com uma arma após discutir com o policial José Camilo Leonel. O motivo da briga seria a devolução de um dos tapetes da loja. Leonel foi chamado até o local pela estudante universitária Iolanda Delce dos Santos, de 29 anos, que pretendia devolver um tapete comprado em dezembro. Ela pagou R$ 5 mil pelo produto e queria o dinheiro de volta.

O comerciante, no entanto, sugeriu um crédito no mesmo valor, para a compra de outros produtos da loja. Segundo ele, a estudante recusou a proposta e disse que chamaria a polícia. Ela foi até o lado de fora do comércio, faz uma ligação pelo celular e, instantes depois, um carro da polícia, dirigido por José Camilo Leonel, chegou ao local.

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Depois de uma conversa rápida com a estudante, o policial civil entra na loja e exige a nota fiscal do tapete. Em seguida, o policial tenta algemar o proprietário e começa a agredi-lo. Ele também ameaça o comerciante com uma arma. Câmeras de segurança registraram toda a agressão. As imagens foram divulgadas pelo Fantástico (assista ao vídeo acima).

No vídeo, é possível ver que a estudante universitária assiste à agressão e não tenta impedir o policial. “Eu penso que ela cometeu uma incitação ao crime. Ela demonstrou uma frieza muito grande. Isso me causou estranheza. Se a gente tivesse pedido a ajuda de um policial e visse esse tipo de reação, a gente não ia deixar prosseguir”, disse a advogada Maria José Ferreira.

Durante o registro do boletim de ocorrência na Corregedoria da Polícia Civil, após a agressão, o investigador disse que não conhecia Iolanda. Em entrevista ao Fantástico, ela também negou conhecer o policial civil.

G1

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