Toninho Lins renuncia ao cargo de prefeito de Rio Largo

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Toninho Lins

Após ter sido afastado  no final do ano passado do cargo de prefeito de Rio Largo por decisão da Justiça, Antônio de Souza Lins, protocolou nesta terça-feira (1º), sua carta de renúncia do cargo na Câmara de Vereadores do município. Na carta, ele afirma que desde que foi eleito não pode “exercer a inteireza das funções” atribuídas a ele.

A carta para o presidente da Casa, vereador Jefferson Alexandre, relata a decisão de Toninho Lins, que destacou em um trecho que tomou a decisão (sic) “pensando no meu povo, nas pessoas que votaram em mim e comigo sonham com a construção de uma cidade mais humana”.

Além de relatar feitos durante sua gestão como prefeito, Toninho afirma que sua renúncia quer contribuir com a continuidade do trabalho de sua vice, agora prefeita de Rio Largo, Maria Elisa Alves.

“ Saio da prefeitura pelo povo e para cuidar da minha defesa. Saio da prefeitura, mas não abandono os que me elegeram nem a vida pública. Saio com humildade para dar uma clara demonstração de que há valores maiores do que um cargo: a lealdade com seu povo e a necessidade de construir uma nova história com todos os que confiam em mim e sabem que sempre honrarei a história de meu pai, como prefeito que foi, e da minha mãe, como eterna educadora que é. Por eles, pela minha esposa, pelos meus filhos e por todos os que me amam, estarei me dedicando a resgatar todos os meus sonhos e os valores que acredito e pelos quais entrei na política: depurando esses processos, mostrando a correção dos meus atos, construir um legado que o povo de Rio Largo tenha orgulho”, diz em outro trecho na carta de renúncia.

Antecedentes

No dia 30 de dezembro o juiz Galdino José Amorim Vasconcellos deferiu o pedido de novo afastamento do cargo para Toninho Lins.

A ação se deu pelo pagamento de mais de R$  de 350 mil a duas empresas de eventos. Conforme consta no processo nenhum documento referente à licitação, empenho ou liquidação de pagamento foi encontrado no Protocolo e Coordenadoria de Contabilidade, setores vinculados à secretaria Municipal de Finanças do referido município.

O gestor é considerado um dos campeões de ações por dano ao erário. São 12 ações de improbidade na Justiça Estadual, 01 na Justiça Federal, 02 ações populares que tramitam na Justiça Estadual e 08 ações penais que tramitam no Tribunal de Justiça de Alagoas.

Ele teve os bens bloqueados no dia 15 de dezembro do ano passado por decisão do juiz da 2ª Vara de Rio Largo.

Uma das maiores ações contra o gestor é referente a venda de um terreno no muicípio por um valor abaixo do mercado. Outros cinco réus, entre eles vereadores, chegaram a ser presos.

À época, o MPE requereu o afastamento do prefeito do cargo e a indisponibilidade dos bens dele. Na denúncia, que foi ajuizada pelo procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, e o subprocurador-geral Judicial, Antiógenes Marques de Lira, o MP comprovou que a prática das ilicitudes foi instrumentalizada por meio de contratações “emergenciais” das empresas Conserg – Serviços & Engenharia LTDA. e Eco Serviços Ambientais LTDA – EPP.

A defesa de Toninho Lins disse a reportagem do CadaMinuto que não há nenhuma demonstração de prática ilícita do Prefeito e que a defesa tem mostrado que as acusações não se baseiam em provas, mas em ilações.

“Toninho Lins teve o seu sigilo fiscal, telefônico e bancário quebrado, sem que haja nenhuma prova contra ele”, ressaltou o advogado de defesa, Adriano Soares.

Já sobre a quantidade de ações onde Toninho Lins é réu e que foram citadas pela reportagem, a defesa alega que “desde sempre houve fatiamento de ações para dificultar a sua defesa e gerar essa impressão de volume de ações. Em casos semelhantes em Alagoas, o Ministério Público ingressou apenas com uma ação contra vários procedimentos licitatórios”, disse.

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